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ExposiçãoLaços do Olhar |
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| Anita Malfatti |
Laços do Olhar
A influência da imigração japonesa no Brasil não se deu só de forma direta, com a adoção de alguns costumes. Nossos parâmetros estéticos também foram contaminados de um jeito mais sutil – e definitivo. Em contato com a caligrafia e a cerâmica típicas do Japão, por exemplo, os artistas brasileiros incorporaram características. Foram essas associações menos óbvias que motivaram o curador Paulo Herkenhoff a montar Laços do Olhar. Não espere, portanto, escolhas literais. Nas 498 peças, entre fotografias, pinturas, gravuras, desenhos e esculturas, o que interessa são as marcas quase escondidas da Terra do Sol Nascente por aqui. E vice-versa. Entre os 115 nomes selecionados há artistas consagrados. A coletiva parte de exemplares da coleção particular do imperador Pedro II e chega a ícones da produção atual. Em 1915, a modernista Anita Malfatti expressava a ainda exótica presença japonesa no Brasil com o retrato O Homem Amarelo. Oitenta anos depois, uma pintura de Adriana Varejão, chamada Pele Tatuada à Moda de Azulejaria, remetia às tatuagens orientais. Mais recentes, os trabalhos do japonês Takashi Murakami e do paulistano Titi Freak formam um contraponto revelador. De trânsito livre inclusive entre os fashionistas – ele assina estampas para a grife francesa Louis Vuitton –, Murakami apresenta Christmas Project. Cheia de carinhas pop, a obra transmite uma alegria ingênua nada estranha aos brasileiros. Na parede ao lado, o grafiteiro Titi Freak exibe uma instalação mais sóbria. Não por acaso. Titi carrega na certidão de nascimento uma herança dos avós japoneses – seu nome verdadeiro é Hamilton Yokota. | por Gisele Kato
SERVIÇOLaços do OlharInstituto Tomie Ohtake. Rua Coropés, 88, Pinheiros, |