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AEROPORTOS

Quem fatura com a crise

23.11.2006

Apagão aéreo aumenta o movimento nos bares,
restaurantes e serviços de Congonhas e Cumbica

 

Por Maria Paola de Salvo

Fotos Fernando Moraes

Café em Cumbica: com o aumento da clientela, funcionários passaram a fazer hora extra

Meia-noite da última segunda-feira (20). A técnica em nutrição Daniela Grossi ainda não tinha saído do Aeroporto de Cumbica nem sequer sabia quando chegaria em casa. Não, ela não estava entre os passageiros de um dos 100 vôos que atrasaram no feriado do Dia da Consciência Negra. Daniela não conseguia era deixar a cozinha que administra no restaurante Terra Azul, um dos maiores de Cumbica. "Costumávamos servir 800 refeições diárias, mas chegamos a 2 000 nos dias de grande atraso", comemora. "Tanto o trabalho quanto o faturamento dobraram."

A fisioterapeuta Lucy: quase o dobro de sessões de massagem e acupuntura

O Terra Azul não é o único estabelecimento dos aeroportos de Cumbica e Congonhas a contabilizar lucros enquanto passageiros e companhias aéreas colecionam prejuízos com a crise iniciada pelos controladores de vôo, que assola o país desde o fim de outubro e, segundo previsões do governo divulgadas na última terça (21), não deve acabar até o Natal. Bares, cafés, lanchonetes e serviços de conveniência como cabeleireiros e pontos de acesso à internet registram movimento maior em comparação a outros meses. "Nessas últimas semanas todos os segmentos tiveram crescimento expressivo", diz Eguiberto Rissi, executivo do grupo RA Catering, que administra a maioria das lanchonetes e restaurantes dos dois aeroportos. "Os funcionários têm feito hora extra para poder atender à demanda." Como ficam mais tempo perambulando pelos corredores (no feriado, o chá-de-cadeira variou de quarenta minutos a dez horas), os viajantes comem e gastam mais.

O campineiro Elissandro Cardoso (à esq.) e os amigos: "Bem que o bar podia providenciar uma mesa de sinuca"

Para alívio das tensões da espera, alguns recorrem à massagem e à acupuntura (esse serviço fica escondidinho numa sala no Terminal 1, na asa B, no desembarque doméstico de Cumbica). "Tem gente que nos procura só para dormir ou descansar um pouco na maca enquanto é massageado", diz a fisioterapeuta Lucy Mendes, proprietária da Bio Quality, clínica que oferece massoterapia (100 reais a hora) e acupuntura (50 reais a hora). Os atendimentos subiram de trinta para cinqüenta por dia. Quem não quer pagar pode optar pela demonstração gratuita da poltrona massageadora Human Touch, que faz shiatsu e está exposta nas lojas da Brasif. "É ótimo. Os estressados entram para provar e alguns acabam comprando", afirma o vendedor Raphael Oliveira Camargo. Coincidência ou não, nesta época a loja vende uma média de duas cadeiras por dia, ao preço de 11 300 reais cada uma.

Ponto de acesso à internet: um dos locais mais concorridos

Há quem gaste o tempo extra nos bares. "A cerveja aqui é cara, mas não há mais nada para fazer", diz o engenheiro Elissandro Cardoso, que na segunda aguardava a liberação de seu vôo para Salvador com mais dois amigos no bar On the Rocks, em Cumbica. "Bem que podiam providenciar uma mesa de sinuca." Para atender clientes como ele, o barzinho passou a fechar três horas mais tarde aos domingos e a servir 100 caipirinhas diárias, o dobro do que vendia em outros tempos. "As pessoas chegam logo pedindo uma bebida para agüentar a longa espera", conta o caixa Marcos André Oliveira. Outros aproveitam o tempo livre para fazer as unhas e arrumar o cabelo nos dois salões de beleza de Cumbica e no único de Congonhas. As manicures do Beauty Hall, de Guarulhos, comemoram o aumento de 40% da clientela. "As mulheres chegam aqui tão nervosas que não querem saber de papo", diz a manicure Sueli Tavares, que ultimamente tem falado pouco e faturado muito. 

 
 
 
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