Só neste ano, seis pessoas foram assassinadas por punks, skinheads e outras gangues de brutamontes que se organizam para brigar e até matar
DANÇA
Fotos divulgação
Carmen: paixão flamenca
COMPANHIA ANTONIO GADES. Quando o espanhol Antonio Gades sentiu que a vida se esvaía, teve a preocupação de perpetuar sua arte. O projeto de uma fundação ocupou os derradeiros momentos do bailarino. Vitimado por um câncer em 2004, aos 67 anos, ele deixou eternizado o estilo intenso que o transformaria em referência da dança flamenca. Dirigido por Stella Arauza, o grupo de 25 bailarinos sintetiza o legado de Gades em três coreografias. Os movimentos passionais de Carmen (1983), peça prevista para terça (30), misturam drama e sensualidade. Sapateado e efusivas palmas caracterizam a Suíte Flamenca (1968), que em conjunto com a trágica Bodas de Sangue (1974) forma o programa de quarta (31). Devido à correria dos paulistanos em busca de ingressos para essas duas noites no Municipal, foram agendadas sessões extras nos dias 12 e 13 de novembro. Desta vez, no Credicard Hall.
>>vídeos de Carmen e Bodas de Sangue
Teatro Municipal (1.580 lugares). Praça Ramos de Azevedo, s/nº,
3222-8698, Metrô Anhangabaú. Terça (30) e quarta (31), 21h. R$ 60,00 a R$ 200,00. Cc.: todos. Cd.: todos. Bilheteria: 10h/19h (seg. e qui. a dom.); a partir das 10h (ter. e qua.). (90min). 6 anos.
EXPOSIÇÃO
Acordalice: livro-montagem de Dora Longo Bahia
RECORTAR E COLAR/CTRL_C + CTRL_V. Dois comandos básicos do computador, o que copia algo de um lugar e o que o cola em outro, não são apenas recursos eficientes da era digital. Esses sinais viabilizam uma atitude de apropriação capaz de explicar muito do mundo de hoje. Nunca a noção de autoria esteve tão diluída. Com 177 trabalhos de 67 artistas, a coletiva que toma o Sesc Pompéia prova quanto a arte pode refletir seu tempo. Nas obras selecionadas, misturam-se textos, idéias e imagens de origens diversas. Logo à entrada, ouvem-se trechos de jingles antigos, como o do mingau Cremogema. Mais à frente, descobre-se tratar-se do som vindo de Desmemórias, um clipe feito por Giselle Beiguelman capaz de incorporar bem esse espírito atual. Em sua companhia estão estrelas da produção contemporânea, de Nelson Leirner à dupla Angela Detanico e Rafael Lain.
Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, Pompéia,
3871-7700. Terça a sábado, 10h às 21h; domingo e feriados, 10h às 19h. Grátis. Até 2 de dezembro.
SHOW
Fotos Marcelo Carnaval e divulgação
Orquestra Imperial e convidados: ode ao "síndico"
TIM MAIA IMPERIAL DELUXE. Muito mais do que as folclóricas anedotas de "síndico" doidão a dar bolos no público, o carioca Sebastião Rodrigues Maia, Tim Maia (1942-1998), deixou uma obra grandiosa, variada e popular. Sob a direção musical de Nelson Motta, uma celebração em torno de sua figura irreverente e carismática toma conta do Tom Brasil na quarta (31). Passam pelo palco o cantor e compositor Marcelo Camelo, do grupo Los Hermanos; o quarteto feminino Chicas, boa surpresa carioca; a revelação paulistana Mariana Aydar; e Toni Garrido, vocalista do Cidade Negra. Sempre em cena, a eficiente e alto-astral Orquestra Imperial acompanha as atrações. No fim, todos se juntam no tributo. Vai ser bom fazer coro para Você (cantada por Mariana), Azul da Cor do Mar (defendida por Camelo) ou Me Dê Motivo (de Michael Sullivan e Paulo Massadas, na voz de Garrido). Único senão: o show em homenagem a um intérprete de verve tão dançante não tem direito a pista. Resta saber se a platéia resistirá impassível nas cadeiras.
Tom Brasil Nações Unidas (1.800 lugares). Rua Bragança Paulista, 1281, Chácara Santo Antônio,
2163-2000.
Quarta (31), 21h30. R$ 40,00 a R$ 100,00. Bilheteria: 12h/22h (seg. e ter.); a partir das 12h (qua.). Cc.: todos. Cd.: todos. IR. Estac. c/manobr. (R$ 18,00). 14 anos.
TEATRO
Guga Melgar
A peça de Vianninha: cartaz do Teatro do Sesc Santana
RASGA CORAÇÃO. Escrita sob o fogo cerrado do regime militar, entre 1972 e 1974, a derradeira obra de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) corria o risco de cheirar a mofo. Repleto de referências políticas, da Revolução de 1930 ao golpe de 1964, o texto ressurge com uma atualidade surpreendente, longe de parecer panfletário. A partir do personagem Manguary Pistolão (o ótimo Zécarlos Machado), um funcionário público comunista que vê seus sonhos congelados diante da rebeldia do filho (Pedro Rocha), o espetáculo reflete sobre temas sempre em voga. Os conflitos de gerações, a validade das utopias e as questões ecológicas mostram a força da dramaturgia de Vianninha diante dos anos. No excelente cenário único concebido por Lidia Kosovski, diferentes espaços geográficos e fases históricas do país são apresentados. Afinado, o elenco, dirigido por Dudu Sadroni, transmite a emoção exigida por um drama que deixa a condição de engajado para ganhar a atemporalidade dos clássicos.
Teatro do Sesc Santana (349 lugares). Avenida Luís Dumont Villares, 579, Jardim São Paulo,
6971-8700. Sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 20,00. Cc.: todos. Cd.: todos. Bilheteria: 13h/21h (ter. a sex.); a partir das 10h (sáb. e dom.). Ingressos também no CineSesc e nas demais unidades do Sesc. Estac. (R$ 7,00 a primeira hora). Até 25 de novembro. (135min, com intervalo). 12 anos. Estreou em 20/10/2007.