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PROFISSÃO

Construtores de miniaturas

06.11.2007


Eles transformam as idéias de engenheiros
e arquitetos em maquetes cheias de vida

 

Por Soraia Chuqui

Mario Rodrigues

Adhemir Fogassa

Adhemir Fogassa: 6 000 maquetes em 34 anos de carreira

Das varandas, moradores contemplam a paisagem. Na área da piscina, crianças se refrescam enquanto os pais se reúnem em torno da churrasqueira. Automóveis entram e saem do estacionamento. O universo liliputiano das maquetes está cada vez mais repleto de detalhes e próximo da realidade. Afinal, sonhar com um apartamento novo é fácil quando dá para enxergar, mesmo que em miniatura, tudo o que ele terá quando finalmente sair do papel. "Depois de ver a planta ou o apartamento decorado, é por meio da maquete que o possível comprador consegue apreciar e avaliar o produto como um todo", afirma Rafael Rossi, gerente de marketing institucional da construtora Rossi Residencial. Segundo ele, as atuais dimensões dessas pequenas obras de arte permitem a fidelidade ao projeto. Para o stand de vendas do condomínio Galleria Boulevard, em Campinas, Rossi encomendou uma maquete de 60 metros quadrados a Adhemir Fogassa, considerado um dos bambambãs da área.

Fernando Moraes

Edilson Andrade e Itaner Soares Leite

Edilson Andrade e Itaner Soares Leite, da Andrade Maquetes: o cliente consegue visualizar até a maçaneta das portas

Fogassa já fez cerca de 6.000 trabalhos em 34 anos de carreira. Seu ateliê, instalado num espaço de 2.400 metros quadrados no Jardim Bonfiglioli, abriga uma equipe de 132 funcionários. Com produção mensal média de trinta unidades, o maquetista aposta nos efeitos especiais. Para destacar a área verde e a qualidade de vida de um empreendimento no bairro da Mooca, ele deu um jeito de a miniatura contar com cheiro de mato (obtido com essência aquecida) e sons (eletrônicos) de pássaros. No centro empresarial Villa Lobos Office Park, no Alto de Pinheiros, aparelhos eletromecânicos permitem que lajes sejam erguidas e revelem o interior de andares e do subsolo. "Num stand de vendas, a maquete é tão importante quanto a noiva no dia do casamento", exagera Fogassa. Suas criações podem ser vistas na Argentina, Estados Unidos, Portugal e Espanha. Custam a partir de 30.000 reais. Mas esse preço pode ir às alturas. A que está exposta no showroom do empreendimento Parque Cidade Jardim, na Marginal Pinheiros, com 55 metros quadrados e prédios com 1,60 metro de altura, saiu por 800.000 reais.

Fernando Moraes

Silvio Luiz Borges

Silvio Luiz Borges, da Kenji: "Nossa principal ferramenta é a imaginação"

De acordo com os sócios Edilson Andrade e Itaner Soares Leite, da Andrade Maquetes, aberta em 1995, as miniaturas hoje em dia dão o dobro do trabalho que davam os modelos de dez anos atrás. "O grau de detalhamento é tão grande que o cliente consegue visualizar até a maçaneta das portas", explica Andrade, que desenvolve cerca de vinte projetos por mês. Atualmente, os 35 funcionários da empresa trabalham em um lançamento da Odebrechet em Alphaville. Projetado no chamado estilo neoclássico, terá edifícios comerciais e residenciais, além de um shopping center.

"Nossa principal ferramenta é a imaginação", diz Silvio Luiz Borges, sócio da Kenji Maquetes. Fundada em 1954, a empresa, sediada na Vila Guarani, na Zona Sul, é tida como a primeira de São Paulo no ramo. Seus trabalhos já chegaram a Angola, Estados Unidos, Portugal, Alemanha, República Dominicana e Espanha. "As maquetes produzidas aqui têm mais elementos humanos que as feitas no exterior", conta Borges. "É isso que dá vida às criações."

 
 
 
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