Todo dia, um novo prédio é lançado na cidade.
Construtoras entram na onda do ecologicamente correto.
Personalidades indicam o que há de melhor em seus bairros.
É possível financiar um imóvel em até trinta anos.
Mario Rodrigues
Fabiana Vendramin: "Já teve um homem que, depois de comprar um apartamento, me convidou para uma comemoração a dois"
São Paulo tem cerca de 70.000 corretores imobiliários. E todos se desmancham em elogios à própria profissão. "Sou muito feliz e faço meus clientes felizes", afirma uma das campeãs de vendas da Lopes, Jade Khoury. "Realizo o sonho das pessoas", diz o "fenômeno" do ano da Itaplan, Francisco Carlos Américo da Silva. "Vendo dias mais alegres", repete José Antonio Casaes, da Fernandez Mera. Papo de vendedor? Certamente. Mas essa conversa passou a ser regulamentada há quatro anos. Desde a entrada em vigor do novo Código Civil, os tais vendedores de sonhos têm de ser responsáveis. O artigo 723 do código deixa claro que o corretor pode responder na Justiça por perdas e danos se não prestar aos seus clientes – espontaneamente – todos os esclarecimentos sobre segurança, risco do negócio, alterações de valores...
"Meu trabalho é achar o que o cliente procura, e não encaixar o produto que eu tenho", afirma a ex-marchand carioca Jade Khoury. "Se não for assim, o sonho pode ser tornar pesadelo." Ela conta que virou corretora há sete anos, por acaso. Mudou-se para São Paulo quando uma amiga a indicou para uma vaga na Lopes. Nunca tinha vendido um apartamentinho sequer. De lá para cá, Jade acumulou, além de comissões, uma agenda VIP. Especializou-se no mercado de luxo. Para circular com desenvoltura no jet set paulistano, coleciona bolsas, sapatos, vestidos e perfumes de grife. Aos 35 anos, prepara-se para realizar dois desejos de uma só vez. "Neste ano, vou comemorar meu aniversário na Itália e me mudar para o apartamento que comprei nos Jardins."
Jade Khoury: roupas de grife para circular no jet set paulistano
Fernando Moraes
Senna, à frente de sua equipe: de 10 000 a 15 000 reais por mês de comissão
Fernando Moraes
O corretor virtual Casaes: 38% dos negócios começam pela internet
Lidar com o público, no entanto, às vezes traz algumas saias-justas. Fabiana Goulart Vendramin perdeu a conta das cantadas que recebeu desde que abraçou a profissão, em 2005. "Já teve um homem que, depois de comprar um apartamento, me convidou para uma comemoração a dois", afirma. "Desconversei e pedi para o meu supervisor fechar a venda." Segundo ela, as comissões que ganhou nestes dois anos fizeram com que conseguisse quitar seu imóvel e ainda comprar um carro zero. Afinal, mais do que ajudar a realizar os sonhos alheios, os corretores (assim como as construtoras, as imobiliárias, os bancos...) aproveitam o aquecimento do setor para ir atrás dos próprios sonhos.