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MERCADO

Canteiro de obras

07.11.2007


Surge um novo prédio por dia em São Paulo. O número de lançamentos imobiliários entre janeiro e setembro deste ano cresceu 76% em relação ao mesmo período de 2004

 

Por Cláudio Gradilone

Mario Rodrigues

Conjunto residencial em construção

Conjunto residencial da Even em construção no Alto de Pinheiros, com entrega prevista para dezembro de 2008: 85% vendido

A sensação de quem circula pelas ruas paulistanas é que a cidade se transformou subitamente em um canteiro de obras. Multiplicam-se os esqueletos de prédios, os tapumes de construções, as meninas agitando bandeiras nas calçadas... Essa percepção é correta. Os números do mercado imobiliário comprovam que o setor está em um ritmo próximo da euforia. Dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi) mostram que um prédio é lançado por dia em São Paulo. Segundo levantamento da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), entre janeiro e setembro de 2004 cerca de 17 300 novos apartamentos e casas em condomínios horizontais foram colocados à venda na região metropolitana. No mesmo período de 2007, esse número saltou 76%, para 30 500 (veja o gráfico abaixo). Nada indica que esse cenário vai mudar. "A maioria dos lançamentos costuma ocorrer nos três últimos meses do ano, quando a renda das pessoas aumenta devido ao pagamento do 13º salário", diz Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp. Para ele, 2007 vai ficar na história como o ano de retomada dos lançamentos imobiliários na capital paulista.

É possível explicar esse fenômeno com apenas duas palavras: mais dinheiro. Imóveis são bens de grande valor. Quem compra um apartamento, mesmo que pequeno, na planta ou em um bairro distante do centro e pouco valorizado, tem de se preparar para cavar fundo nos próprios bolsos, algo que nem sempre é possível. A alternativa é comprar com dinheiro emprestado, seja por uma instituição financeira, seja pela construtora ou incorporadora do imóvel. Aí é que está a grande mudança. A abundância de recursos para o mercado imobiliário permite que cada vez mais pessoas comprem a crédito.

De acordo com o Banco Central, atualmente o volume de dinheiro emprestado para a compra de imóveis supera 40 bilhões de reais, o maior nível desde meados de 2001. Em doze meses, o avanço dos empréstimos foi de 23%, muito mais do que os cerca de 4% de crescimento da economia. Embora pujantes, esses números são apenas a ponta de um iceberg potencial de financiamentos. "Hoje, o total de empréstimos responde por cerca de 35% do produto interno bruto brasileiro", diz Antonio Bento Mendonça Neto, vice-presidente responsável por finanças da consultoria internacional Solving. "No futuro, é possível que o cenário se torne mais parecido com o dos Estados Unidos." Lá, o crédito é o triplo do PIB, e boa parte são financiamentos imobiliários. O prazo dos financiamentos também cresceu. É possível comprar um imóvel em trinta anos, algo impensável no início da década (veja reportagem)

Os números das construtoras também são impressionantes. Até o dia 26 de outubro, data da abertura de capital da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), 96 companhias captaram cerca de 65 bilhões de reais vendendo ações no mercado. "Esses recursos capitalizaram as companhias do setor e permitiram que elas tivessem mais força na hora de vender seus lançamentos", diz Mendonça. Tanto dinheiro não surgiu por milagre, mas por causa das condições favoráveis da economia mundial. Nos últimos quinze anos, os Estados Unidos, o Japão e a União Européia viveram um período sem precedentes de crescimento econômico acelerado, com inflação e juros em baixa. Isso estimulou os bancos em todo o mundo a emprestar dinheiro para quem estivesse interessado em comprar imóveis. E também financiar e comprar ações de companhias imobiliárias.

A oferta de crédito fez com que os preços dos imóveis disparassem, o que estimulou os investidores a buscar oportunidades fora dos países desenvolvidos. Parte desse dinheiro migrou para o Brasil, tanto para investimentos diretos em imóveis quanto para aplicações no mercado financeiro. Como resultado, a oferta de imóveis aumentou muito. Segundo especialistas, é bastante provável que o Brasil repita a escrita do México e de países do Leste Europeu, nos quais a obtenção do grau de investimento – um certificado das agências de classificação de risco de que o país é um porto seguro para os investidores internacionais – elevou significativamente os preços dos imóveis. Afinal, o Brasil é uma das últimas fronteiras do mercado imobiliário disponíveis para os investidores internacionais.


Um universo em expansão

Lançamentos imobiliários na região metropolitana* (em número de unidades)

Foto Fernando Moraes

* Entre janeiro e setembro
Fonte: Embraesp

 
 
 
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