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ABR

23

2008






EDIÇÃO ESPECIAL

Mundo dos Shoppings

Destino de 3 milhões de paulistanos por dia, os 47 centros comerciais da cidade devem ganhar mais um grande concorrente agora e outros quatro até 2009. Os especialistas garantem: ainda há espaço para novos empreendimentos

ÍNDICE


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Bastidores

O que os olhos dos
consumidores não vêem

Depois que as lojas se fecham, um batalhão de gente trabalha duro para deixar tudo tinindo antes de o expediente recomeçar, às 10 da manhã. Tem cada atividade...

 

Por Marisa Folgato

23.04.2008

 

Um homem sente-se mal e cai numa das entradas do Shopping Villa-Lobos. O bombeiro civil André Viana, enquanto aciona a equipe, inicia a massagem cardíaca com respiração boca-a-boca. Logo chega o desfibrilador. Um minuto depois, o paciente está estabilizado, na ambulância, pronto para seguir até o hospital. São 2h30 da manhã. Mas não é que a "vítima" sai do veículo vendendo saúde? Trata-se de um dos seguranças do shopping que, como Viana, participam de treinamento em plena madrugada. Essa é apenas uma das atividades a que se entregam centenas de funcionários dos shoppings da cidade logo que as lojas se fecham, às 22 horas. Quando sai o último cliente, é hora de trabalhar duro para deixar tudo impecável, tinindo, bem antes de o expediente recomeçar, às 10 da manhã.

  

Emergência simulada

Agliberto Lima

André Viana

No Villa-Lobos, que tem 220 lojas, sessenta dos 300 funcionários estão no turno da noite. O chefe dos bombeiros, André Viana (na foto, à direita), é um deles. Aos 29 anos, quatro deles ali, já participou de pelo menos 150 treinamentos e perdeu a conta das vezes em que fez uso da respiração boca-a-boca para reanimar os colegas "fingidos". Cada ação, realizada três vezes por semana com trinta pessoas em média, ocorre num ponto-surpresa. Com curso de 160 horas para bombeiro profissional civil, Viana ainda não teve de usar o desfibrilador em nenhum freqüentador do shopping. "Atendemos a casos de menor gravidade", diz. "Outro dia uma grávida entrou em trabalho de parto na praça de alimentação, mas chegou a tempo ao hospital."

   

Para não deixar o relógio parar

Renata Ursaia

Amauri Barroso Lima

O encarregado de manutenção Amauri Barroso Lima, de 42 anos, dezesseis deles no Shopping Iguatemi, é o único responsável pelo bom funcionamento do relógio de água instalado no térreo. "Só existem cinco desses no mundo", diz. Talvez isso e o fato de o aparelho ser todo de vidro expliquem as dores no pescoço depois de até sete horas seguidas de trabalho, quando as lojas já estão às escuras. "Tem de ser bem tarde porque precisamos montar um andaime de 10 metros de altura", conta ele, que troca a água do relógio a cada quinze dias e faz a limpeza externa a cada quarenta. O equipamento tem 8,5 metros de altura por 2 metros de largura. Os 250 litros de água verde percorrem 120 metros de tubos de vidro num intrincado processo que enche, de um lado, os trinta pequenos anéis emendados que respondem por 2 minutos cada um e, de outro, os doze reservatórios responsáveis pelas horas. "Um sistema de computador controla o horário e o bombeamento da água para o reservatório superior. Depois, o movimento se dá por gravidade", explica.

   

Energia para atender a uma cidade de 50 000 habitantes

Mario Rodrigues

Enádio Oliveira Bastos

Também é na madrugada que se realiza a maior parte da manutenção do sistema elétrico do Shopping Center Norte, a começar pela subestação que abastece todo o complexo e tem capacidade de 20 megawatts, o suficiente para atender a uma cidade de 50 000 habitantes. "Foi o primeiro shopping a ter esse equipamento", afirma o eletricista Enádio Oliveira Bastos, de 43 anos, que não entra em serviço no local sem usar calçados apropriados, óculos e bastão de segurança. Alguns cabos da subestação, que alimenta o Center Norte, o Lar Center e o Novotel, passam por baixo do Rio Tieteqüera. "O monitoramento é constante", explica Bastos. As fiações (conjuntos de quatro cabos) percorrem 530 metros até o Center Norte e 1 030 até o Lar Center. Apenas nos dois shoppings, que somam 448 lojas, são trocadas cerca de 100 lâmpadas por semana. Por estar a subestação localizada próximo do Rio Tietê, apesar das barreiras químicas, às vezes um rato ou outro burla o sistema e provoca estragos. "Outro dia houve um estouro e saiu até labareda por causa de um deles."

    

Ele cuida do verde dos corredores

Mario Rodrigues

Fábio Fagundes de Miranda

Os jardineiros do Shopping Ibirapuera fazem muito mais do que regar e adubar. De cócoras ou em carrinhos, têm de aplicar um produto em spray e dar brilho com uma flanela em cada uma das folhas das bromélias e antúrios que ocupam as 2 800 floreiras do shopping. Um trabalho que não incomoda Fábio Fagundes de Miranda, de 29 anos. "O pior, mesmo, é o uniforme verde para um corintiano como eu", brinca Miranda. Por mês são aplicados 120 frascos do produto diluídos em 6 000 litros de água. "Fico chateado quando vejo as pessoas jogando lixo ou apoiando os pés nos vasos."

    

Para adaptar os peixes que chegam dos EUA

Leo Feltran

Vera Milos

Vera Milos já topou muitas vezes pelos corredores vazios do MorumbiShopping com alguns dos 35 funcionários encarregados da limpeza noturna dos 140 000 metros quadrados do centro de compras. "Quando recebemos peixes marinhos importados, passamos a madrugada fazendo a adaptação", explica a gerente da Mondo Somerso. Eles chegam dos Estados Unidos, em saquinhos, dentro de caixas de isopor, e, para regularizar o pH e a reserva alcalina, a cada meia hora é misturado à água na qual eles viajaram um pouco do conteúdo dos aquários que ocuparão na loja. "São umas quatro horas até o ponto ideal." No total, há cerca de cinqüenta espécies. O peixe mais barato, o donzela, custa 20 reais, mas um anjo não sai por menos de 1 200 reais. "Já chegou importação às 2 da manhã e não saímos antes de o sol nascer", conta Vera, dona, entre outros bichos, de uma moréia de mais de 1 metro que enfeita a vitrine da loja.


 
 
 
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