Destino de 3 milhões de paulistanos por dia, os 47 centros comerciais da cidade devem ganhar mais um grande concorrente agora e outros quatro até 2009. Os especialistas garantem: ainda há espaço para novos empreendimentos
Fernando Moraes
O shopping durante a construção, em 1999, e hoje: uma história que foi do ódio ao amor
Mas como os vizinhos mudaram de opinião, afinal? Com muito jogo de cintura do Grupo Malzoni. Foram encontros com associações de moradores, modificações no projeto arquitetônico e melhorias em espaços públicos. Exemplo: um estudo realizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego na época apontava que o tal elefante de concreto jogaria nas ruas da região, nos horários de pico, um volume de 1 600 veículos por hora. Diante disso, trocou-se a sinalização antiga dos arredores. Outra medida foi instalar as catracas de estacionamento o mais longe possível das entradas – assim, qualquer fila estaria dentro do terreno, não no caminho de outros motoristas. Baluartes das redondezas, como o Parque Buenos Aires, foram repaginados como sinal de boa vontade. Outro fator para explicar por que aquele pedaço da cidade não virou um eterno engarrafamento é matemático, como explica Paulo Malzoni Filho, da Brascan, hoje responsável pelo complexo. "Quem antes se deslocava de carro passou a circular a pé porque não precisava mais de serviços fora do bairro", afirma. Um andar inteiro de estacionamento foi extirpado do projeto original, a pedido da vizinhança. O formato caixotão, predominante nesse tipo de construção, deu lugar a um prédio bem recuado (30 metros em relação à Avenida Higienópolis e outros 40 metros na Rua Doutor Veiga Filho) e com charmosos tetos de vidro, que conferiram ar mais acolhedor à fachada. O grande trunfo, no entanto, foi alterar o perfil residencial de Higienópolis sem exageros. Onde antes não havia cinemas, hoje funcionam seis salas, além de um teatro. O mesmo vale para o diversificado leque de restaurantes e serviços. "Falavam em levantar sete prédios naquele terreno. Traria mais trânsito, sem nenhum serviço para nós", diz o médico Luciano Stancka, presidente do Conselho de Segurança do bairro. Para o presidente da Associação de Moradores e Comerciantes de Higienópolis, Fuad Sallum, a presença do shopping ajudou a agregar gente que mora e trabalha na região. "Virou ponto de encontro para pessoas que se conheciam de vista, mas nunca trocavam uma palavra."