"Por que quero continuar a ser prefeito"
Teatro
Dalton Valério
Dani Barros: surpreendente desenvoltura de atriz em personagem masculino
Acqua Toffana. Como se estivesse num confessionário, o personagem Fulano de Tal encara a platéia do Sesc da Avenida Paulista para revelar seu tédio. Nada acontece até ele enredar o espectador em uma teia de delírio e realidade. Pela sua cabeça só passa uma obsessão: assassinar a vizinha gorda e desagradável. Na adaptação da atriz Dani Barros e do diretor Pedro Brício, a obra de estréia da romancista Patrícia Melo, publicada em 1994, se converte num vigoroso monólogo tragicômico. Repleta de humor negro, a montagem que vem do Rio de Janeiro traz a dor de quem não extrapola a rotina. Com surpreendente desenvoltura, Dani abraça o papel masculino longe da caricatura. Seu físico miúdo contribui para a fragilidade daquele homem, construído a partir da postura e da voz. Ela arranca risadas, emociona e supera o texto ou qualquer recurso de cena.
Sesc Avenida Paulista - Espaço 12º Andar (75 lugares). Estreou em 6/6/2008. Avenida Paulista, 119, Metrô Brigadeiro,
3179-3700.
Sexta a domingo, 21h. R$ 20,00. Bilheteria: 9h/22h (ter. a sex.) e 10h/22h (sáb. e dom.). Ingressos também no CineSesc e nas demais unidades do Sesc. Até 13 de julho. (60min).
Show
Fotos divulgação
O pianista Vijay Iyer e a cantora Dobet Gnahoré: jazz e world music no Citibank Hall
Bridgestone Music Festival. Em sua primeira edição, o evento em cartaz nesta semana no Citibank Hall se destaca pela escolha nada óbvia das atrações. O Bridgestone Music Festival consiste em fazer um representante americano do jazz dividir o palco com um nome da chamada world music. Na quinta (19), abrem a série de apresentações a pianista Rachel Z e seu trio, o Dept of Good and Evil. Ao lado de nosso guitarrista Chico Pinheiro, eles exibem uma inventiva releitura de Love Will Tear Us Apart, do Joy Division. Depois é a vez de Daby Touré, cantor da Mauritânia admirado pelo roqueiro Peter Gabriel. O soul-jazz do tarimbado organista Dr. Lonnie Smith e o canto sem exotismos de Dobet Gnahoré, da Costa do Marfim, comparecem na sexta (20). Na última noite, sábado (21), as atenções se voltam para o pianista nova-iorquino de origem indiana Vijay Iyer, em fase de tremendo sucesso, e a cantora e violonista argelina Souad Massi, cujo som passa por influências como o folk e o flamenco. Para ver esses raros artistas em nossos palcos, os ingressos vão de 30 a 90 reais.
>>Rachel Z e o trio Dept of Good and Evil interpretam Love Will Tear Us Apart, do Joy Division
Citibank Hall (1?450 lugares). Avenida dos Jamaris, 213, Moema,
6846-6040.
Quinta (19) a sábado (21), 22h. R$ 30,00 a R$ 90,00. Bilheteria: 12h/20h (seg. a qua.); a partir das 12h (qui. a sáb.). Cc.: todos. Cd.: R e V. TM. Estac. c/manobr. (R$ 20,00). 16 anos.
Para as crianças
Henrique Sitchin com uma das charges: irresistível narração
E se as histórias fossem diferentes? Com a ótima trilogia Zôo-Ilógico (2004), Inzôonia (2005) e Guarda Zool (2006), o ator Henrique Sitchin experimentou fazer teatro sem muitas palavras – e a crianças adoraram. Em sua nova montagem, o fundador da Cia. Truks inverte a proposta. Para contar, desta vez sozinho, a história de um reino cheio de princesas doidinhas para casar e depois uma aventura no curioso Planeta dos Aljenfios, ele fala sem parar. Duas técnicas diferentes o amparam durante o espetáculo. No primeiro momento, expressivas figuras desenhadas pelo cartunista Ohi representam os personagens. Impressiona a velocidade com que Sitchin muda de charges sem deixar a platéia confusa. Ainda mais criativa, a segunda parte da peça explora as possibilidades do vídeo. Munido de lápis coloridos e papéis, o hábil narrador desenha os seus companheiros de cena. Uma câmera capta as imagens e transmite a irresistível brincadeira num telão.
Teatro Alfa – Sala B (200 lugares). Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro,
5693-4000.
Sábado e domingo, 17h30. R$ 10,00 (crianças de até 12 anos) e R$ 20,00. Grátis para menores de 3 anos. Bilheteria: 11h/19h (seg. a dom.). Cc.: todos. Estac. c/manobr. (R$ 18,00). www.teatroalfa.com.br. Até 20 de julho. Direção do autor (50min). Rec. a partir de 3 anos. Estreou em 7/6/2008.
Exposição
Abstracionismo, tela de Manabu Mabe: essência no Japão
Nipo-brasileiros no acervo da Pinacoteca. Escolhidas para compor um panorama da produção de artistas japoneses e seus descendentes, as cinqüenta obras na Pinacoteca do Estado pontuam as colaborações desse grupo na história da arte brasileira a partir da década de 30. O passeio começa com telas de Yoshiya Takaoka e Tomoo Handa. Eles integraram a Seibi-kai, a primeira organização fundada com o objetivo de acolher e fomentar o trabalho dessa comunidade no país. A curadoria segue com criações de Tomie Ohtake e Manabu Mabe, imigrantes estimulados pela Bienal de São Paulo, que movimentou nosso cenário cultural dos anos 50 em diante. Por fim, estão nomes como James Kudo e Ayao Okamoto, já nascidos aqui, mas nem por isso sem uma forte ligação com a terra dos antepassados. Aliás, perceber a sensibilidade comum aos selecionados é o grande atrativo da mostra. Entre poéticas diversas, eles compartilham uma constante busca pela afirmação de uma identidade.
Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2,
3324-1000, Metrô Luz.
Terça a domingo e feriados, 10h às 18h. R$ 4,00. A bilheteria fecha meia hora antes. Grátis aos sábados. Até 27 de julho.