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Mistérios da cidade

A ressurreição dos outdoors

 

Por Daniel Nunes Gonçalves

15.10.2008

 

Mario Rodrigues

Dois anos depois da implantação da Lei Cidade Limpa, alguns outdoors retirados das ruas ressurgem em forma de arte. Garimpadas por cinco meses em ferros-velhos e empresas de comunicação pelo artista plástico Eduardo Kobra, catorze peças receberam técnicas de colagem, pintura e grafite inspiradas em São Paulo. Com 3 metros de comprimento, o painel acima reproduz uma cena da década de 20. "Minha idéia é mostrar a metrópole em transformação", diz Kobra. A exposição Lei da Cidade que Pinta fica em cartaz até o dia 11 de novembro na recém-inaugurada Galeria Michelangelo (Rua Fradique Coutinho, 798, Vila Madalena, 3815-0993).

 

Vai um cafezinho que passou pelo jacu?

Fotos divulgação e Mario Rodrigues

Primeiro veio o café Kopi Luwak, preparado com grãos engolidos e expelidos por um mamífero típico da Indonésia, o luwak. Foi um sucesso. Agora o paulistano pode experimentar o Jacu Bird Coffee, resultado de um processamento que segue a mesma lógica: em uma fazenda no Espírito Santo, o pássaro jacu engole o fruto maduro e, digamos, deposita a matéria-prima sem digeri-la. Após passar por uma lavagem com água, o produto é torrado e moído. A reação química causada pelos sucos gástricos do animal resulta em grãos de alta qualidade. À venda na Suplicy Cafés Especiais da Alameda Lorena, a xícara desta saborosa raridade sai por 8 reais.

 

Biblioteca caseira

Mario Rodrigues

Os 3,3 milhões de alunos da rede estadual de 5ª a 8ª série e do ensino médio vão ganhar um estímulo e tanto para a leitura até o fim do ano. Em uma iniciativa inédita, o governo está distribuindo gratuitamente 16,5 milhões de exemplares de 21 títulos da literatura brasileira. Além de um atlas, cada aluno leva três livros de autores como Jorge Amado, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Machado de Assis, cujo centenário de morte foi celebrado no mês passado, tem cinco obras na lista.

 

O baú de 84 000 reais

Divulgação

Um baú de couro à venda por 84 000 reais (o equivalente a três carros populares zero-quilômetro!) parece resplandecer na vitrine da loja da Louis Vuitton no Shopping Iguatemi. Com 1,10 metro de comprimento, 55 centímetros de largura e capacidade para carregar 150 quilos, a mala foi fabricada a mão no ateliê de Asnières, berço da grife francesa. Guarda-roupas móveis como este fizeram a fama da LV na época de sua fundação, em 1854. Eram ideais para longas viagens de trem e de navio.

 

Memória paulistana

Acervo da Família de Gregori Warchavchik

Considerada a primeira casa modernista do Brasil, esta obra do arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik, construída em 1928 na Vila Mariana (acima, na década de 30), terá suas portas abertas depois de quatro meses em manutenção. No domingo (19), ela recebe a exposição O Ambiente Moderno, com nove painéis retratando ambientes do modernismo projetados em todo o mundo, incluindo uma foto de época do próprio imóvel. A curadoria é do arquiteto Mauro Claro. Localizada no Parque Modernista (Rua Santa Cruz, 325, 5549-4288), a casa faz parte do conjunto de onze prédios históricos que formam o Museu da Cidade de São Paulo.

 

Com reportagem de Fernando Cassaro, Giovana Romani e Helena Galante

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