Avaliamos o serviço de entrega de cinquenta lanchonetes e restaurantes: batatas murchas, molhos derramados e longos atrasos estão entre as derrapadas
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Tempos atrás, encomendar comida em domicílio significava quase que somente receber uma pizza. Ao longo das duas últimas décadas, o delivery ganhou musculatura e passou a fazer parte do dia-a-dia dos paulistanos. Basta uma chamada para ter em casa de uma suculenta picanha a uma bela bandeja de sushi, de um substancioso fusilli a pratos indianos ricos em condimentos. "Cerca de 2 500 restaurantes na cidade dispõem de entrega em domicílio", calcula Joaquim Saraiva de Almeida, diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Ele aponta as pizzarias como as líderes do setor, com 17 milhões de pedidos a cada mês.
| Mario Rodrigues |
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| Pizzaiolo da Bráz: 40% das 10 000 pizzas feitas em todas as unidades da rede no fim de semana são para entrega |
Para verificar como funciona esse universo em expansão, Veja São Paulo testou cinqüenta endereços distribuídos entre onze especialidades culinárias. A avaliação foi feita no fim de semana passado, entre sexta e domingo, das 21 às 22 horas, horário considerado de pico. Sem se identificar e pagando a conta, 24 jornalistas ligaram dos mais diversos pontos da cidade. Foram avaliados os quesitos atendimento (tanto ao telefone quanto do motoboy), tempo de entrega, apresentação, temperatura e qualidade do alimento. Cada casa recebeu notas que variam de bomba, ou péssimo, a cinco estrelas, ou excelente. Os resultados estão nas páginas seguintes.
O caminho do seu pedido
Um exemplo de como funcionam as entregas de restaurantes
O que eles dizem
Seis motoboys contam histórias da profissão. Há os que brigam por caixinhas gordas, os que recebem cantadas...
| Leo Feltran |
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"Temos pressa e precisamos de perícia para equilibrar bebidas como milk-shake e suco. Quando batemos em um retrovisor ou passamos por um buraco, cai tudo mesmo."
Vicente Moura da Silva, 40 anos, motoboy há oito
| Fernando Moraes |
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"Fazemos de tudo para a entrega chegar na hora, até encaramos chuva. Mas tem cliente, principalmente os de escritório, que nem caixinha dá."
Marcos Avelino, 37 anos, motoboy há quinze
| Fernando Moraes |
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"Gosto do trabalho. É uma profissão com muita adrenalina. Exige velocidade para não atrasar o pedido e atenção o tempo todo. Sempre tive paixão por moto."
Francisco de Assis dos Santos, 19 anos, motoboy há um ano e seis meses
| Fernando Moraes |
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"Já cheguei a ganhar 80 reais de caixinha de um cliente no fim do ano. Esse cara sempre dava uma grana alta para quem levava a comida. Imagine a briga para entregar um pedido dele."
João da Cruz Neto, 34 anos, motoboy há dez
| Leo Feltran |
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"Tem uma clientela que sempre aparece de calcinha e sutiã para pegar o pedido."
Everton Prudêncio Procópio, 27 anos, motoboy há cinco
| Leo Feltran |
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"Acontece de homem dar em cima, sim. Uma vez, um motorista me parou no trânsito, como se quisesse pedir informações. Na verdade, só queria o meu telefone. Não dei, claro."
Necilton Lima de Oliveira, 31 anos, motoboy há nove
Central delivery
Com 1 000 pedidos diários, o Disk Cook faz entrega para restaurantes bacanas
O Disk Cook nasceu em 1997 com o objetivo de entregar refeições que vão além de pizzas e lanches. "Percebemos que faltavam opções de delivery de restaurantes de gabarito", afirma Patrick Sigrist, um dos donos. Tudo começou com treze estabelecimentos paulistanos. Hoje, são 53 na cidade, além de cerca de cinqüenta no Rio de Janeiro. Dá para encomendar em casa um bacalhau do Antiquarius, tacos do El Mariachi, um camarão do Tatini... Por dia, uma média de 1 000 pedidos chega à central de atendimento em Jundiaí. No horário de maior movimento (no sábado, das 21h às 22h), 35 atendentes ficam a postos. A taxa de entrega varia de acordo com a região em que foi feito o pedido (o custo do serviço está programado para subir nesta semana). "Mas esse valor fica com as empresas de motoboys", conta Sigrist. "Recebemos uma comissão de 27% sobre a venda." A área atendida abrange da Lapa ao Morumbi e de Pinheiros até a Vila Mariana. Os pedidos são feitos via telefone ou site. Há ainda uma revista quadrimestral que divulga o cardápio do Disk Cook - 100 000 exemplares são distribuídos a clientes assíduos e em restaurantes. "Notamos que o paulistano não quer sair de casa, por medo e por comodismo", diz Sigrist. "Resultado: crescemos 50% nos últimos três anos."